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Pagar mais não dá melhor comida: cruzámos o preço e a nota de 1.599 alimentos

Publicado a 5 de outubro de 2026

Está à frente do linear com dois sacos. Um custa o quádruplo do outro. A pergunta é sempre a mesma: o caro é melhor?

Cruzámos o preço e a nota de 1596 alimentos secos. A resposta curta é que quase dá no mesmo.

O dado que resume tudo

Dos 20 % mais baratos, chegam aos 70 pontos

226 de 319

Dos 20 % mais caros, chegam aos 70 pontos

227 de 319

Não é uma gralha: é exatamente o mesmo número, 70,8 % nos dois grupos. E o caro custa 4,4 vezes mais por caloria (5,45 € contra 1,24 € cada 1.000 kcal).

A curva inteira

Escalão de preço€/1.000 kcalNota média
Os 20 % mais baratos1,24 €74,7
2.º quintil1,95 €76,9
3.º quintil2,54 €77,5
4.º quintil3,35 €76,4
Os 20 % mais caros5,45 €77,1

Há um degrau, e está só no princípio: do escalão mais barato para o segundo ganham-se três pontos. A partir daí a linha é plana, e o escalão mais caro nem sequer é o melhor.

A correlação entre preço e nota é de 5,1 por cento (0,051 em 1). Para se ter uma ideia: se o preço previsse a qualidade, esse número estaria perto de 1. Está praticamente em zero.

Os dois extremos interessantes

No escalão mais barato há 48 produtos que tiram 90 ou mais: comida excelente a menos de 1,49 € cada 1.000 kcal.

E no mais caro há 6 que não chegam aos 50. São poucos, mas existem: pagar cinco vezes mais não o protege de comprar mal.

O que a nossa nota mede exatamente (e o que não)

Isto é importante antes de tirar conclusões. A nota pontua o que o rótulo declara: que ingredientes nomeia e por que ordem, quanta proteína vem de fontes identificadas, se há enchimentos, se declara ser um alimento completo. Não mede a digestibilidade real, nem a qualidade da matéria-prima para lá de como é declarada, nem se ao seu cão lhe cai bem.

Portanto o que estes dados dizem, exatamente, é isto: pagar mais não compra um rótulo melhor. O que já é bastante, porque o rótulo é a única coisa que tem à frente na loja.

Como está feito, e o que quase correu mal

Só entram embalagens de uma unidade. Os packs de poupança ficam de fora, e não é um capricho: medimos que saem 1,88 vezes mais baratos por quilo do que os soltos mesmo comparando pesos parecidos. Isso não é economia de escala — é que o preço que nos chega costuma ser o de um saco enquanto o nome diz o pack inteiro.

A primeira versão desta análise incluía-os. O escalão barato era 37 % packs e o caro apenas 1 %, por isso o extremo barato saía artificialmente bem e a conclusão teria sido uma falha da nossa própria leitura disfarçada de descoberta. Detetámo-lo porque um alimento alemão de gama média aparecia a 1,54 € o quilo, e essa marca não baixa dos 2,50.

Pelo mesmo motivo aqui não há comida húmida: de 1371 fichas com preço e peso, só 26 são de uma unidade. Não dá para dizer nada, por isso não dizemos nada. (O que sabemos da húmida é quanto custa a sério.)

O barema, com os seus pesos e as suas fontes, está na metodologia.

Medido a 5 de outubro de 2026 sobre 1596 alimentos secos com preço, peso e energia conhecidos.

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